No cenário atual da saúde, em que a intensidade do trabalho hospitalar transforma cada dia em um verdadeiro desafio, a saúde dos médicos muitas vezes fica em segundo plano. No Brasil, dados recentes revelam que entre 30% e 50% dos médicos apresentam sintomas de burnout, uma síndrome de esgotamento emocional.
Diante desse cenário preocupante, preservar o bem-estar mental desses profissionais é fundamental não apenas para sua qualidade de vida, mas também para garantir a segurança e a excelência no atendimento aos pacientes. Conhecer e praticar o autocuidado é uma estratégia indispensável para fortalecer quem dedica a vida a cuidar do outro.
O que é autocuidado e por que ele importa?
Autocuidado não é apenas uma resposta reativa ao estresse, mas uma prática diária intencional de ações que promovem bem-estar emocional, físico e mental. Para os médicos, isso significa reconhecer seus limites, estabelecer prioridades que incluem momentos de descanso e recuperação, e implementar hábitos que fortaleçam a resiliência diante das demandas da profissão.
Para incluir o autocuidado na rotina hospitalar, a Dra. Claudia Simões, vice-presidente da SAESP, destaca a importância de mudar a forma como essa prática é encarada: “A chave é entender que o autocuidado não precisa ser demorado ou sofisticado - são pequenas âncoras ao longo do dia”.
Dicas práticas de autocuidado para médicos
Ao ser questionada sobre quais estratégias de autocuidado os médicos podem adotar, a Dra. Claudia Simões listou algumas práticas que podem ser feitas até mesmo em plantões longos:
- Exercícios rápidos: alongamentos de 3 a 5 minutos no próprio local de trabalho;
- Hidratação constante: garrafinha de água sempre por perto;
- Respiração diafragmática: 1 a 2 minutos já ajudam a reduzir a ativação do estresse;
- Check-in mental: perguntar a si mesmo “como estou agora?” e reconhecer emoções. Cada vez mais se entende que técnicas de atenção plena são importantes para autocuidado e até mesmo para reduzir intercorrências na sala de cirurgia.
Para os médicos, o autocuidado também se aplica ao estabelecer limites claros entre vida profissional e pessoal. Entre as consequências de não encontrar esse equilíbrio, a Dra. Claudia Simões enfatiza que a profissão pode invadir todos os espaços da vida, trazendo risco de esgotamento, relações fragilizadas e perda de identidade fora do papel de médico.
“Definir fronteiras saudáveis significa: respeitar o tempo de descanso como prioridade, não como luxo; cultivar atividades e vínculos fora do hospital para lembrar que somos mais do que nossa função e aprender a dizer ‘não’ quando a carga de trabalho compromete a saúde”, aconselha a Dra. Claudia.
Para cuidar do outro é preciso, primeiro, priorizar a si mesmo
O autocuidado não é um ato de egoísmo, mas práticas que oferecem uma saúde mental fortalecida e estável aos médicos e, consequentemente, promovem um cuidado seguro e humano aos pacientes. Por outro lado o autocuidado não é sinônimo de evitar o trabalho ou simplesmente buscar a maior parte do tempo para si mesmo, é um exercício de equilíbrio e de busca da satisfação da nossa profissão que também e importantíssima para nosso bem estar.
Como conclui a Dra. Claudia, “só conseguimos cuidar bem se também estivermos íntegros. Não é fraqueza, é querer cuidar e executar nossa profissão de maneira segura e responsável”.
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