A rotina hospitalar é um ambiente desafiador e exigente, marcado por jornadas intensas e decisões rápidas. Esses fatores impactam profundamente a saúde mental dos profissionais de saúde.
De acordo com um levantamento realizado em 2024 pela Afya, hub de educação e soluções para a prática médica, 40% dos médicos no país sofrem com algum tipo de transtorno mental. Um cenário preocupante que exige atenção priorizada.
Desafios enfrentados no ambiente hospitalar
O cotidiano hospitalar envolve situações que expõem os profissionais a riscos psicológicos significativos. Segundo a Dra. Claudia Marquez Simões, vice-presidente da SAESP, “o hospital, em especial o centro cirúrgico, é um espaço de pressão constante: plantões prolongados, decisões rápidas que podem impactar vidas, contato frequente com dor e morte, além da sobrecarga administrativa”.
Com essas condições, cria-se um ambiente que favorece o desencadeamento de transtornos mentais.
“Síndrome de Burnout, transtornos ansiosos e depressivos que muitas vezes se mascaram como fadiga ou irritabilidade, privação de sono e desregulação circadiana comuns em todas equipes de saúde, culpa e perfeccionismo – sentimentos que surgem quando não conseguimos atender às expectativas nossas ou das equipes/pacientes” são algumas das condições listadas pela Dra. Claudia como as mais presentes entre os profissionais da saúde.
O que pode ajudar a identificar que o profissional está enfrentando alguns desses transtornos e precisa de ajuda? É preciso ter atenção às mudanças bruscas no padrão de comportamento dos profissionais como, por exemplo, as alterações persistentes de humor (tristeza, irritabilidade, apatia), distúrbios de sono ou apetite sem explicação clara, dificuldade de concentração ou queda de desempenho, pensamentos de desesperança ou inutilidade e o isolamento social, afastamento de colegas e familiares.
Estratégias práticas para cuidar da saúde mental na rotina hospitalar
O cuidado com a saúde mental exige ação. Com destaca a Dra. Claudia, “não existe solução única, cada indivíduo é único e funciona de maneira diferente”. Apesar disso, há práticas que podem colaborar para reverter esse quadro. Entre as sugestões da Dra. Claudia Simões estão:
- Higiene do sono e pausas planejadas: não negligenciar a fadiga;
- Atividade física regular: reduz ansiedade e melhora a resistência ao estresse;
- Espaços de escuta: terapia, grupos de apoio - inclusive entre colegas que vivem a mesma realidade;
- Definição de limites: aprender a dizer “não” quando a carga ameaça a saúde;
Reflexo coletivo e impacto institucional
A saúde mental na rotina hospitalar não é responsabilidade apenas do indivíduo, mas sim um compromisso coletivo. Falando sobre esse aspecto, a Dra. Claudia enfatiza que “uma equipe que cultiva empatia, solidariedade e a comunicação aberta, identifica precocemente sinais de sofrimento nos colegas, divide responsabilidades, evitando sobrecarga individual e cria um ambiente onde pedir ajuda não é visto como fraqueza, mas como maturidade profissional”.
Infelizmente, cuidar da saúde mental ainda é uma pauta que gera receio entre os médicos devido ao medo de julgamento, de perder credibilidade ou oportunidades. Mas é indispensável quebrar esse estigma para permitir acesso mais precoce a tratamento, abrir diálogo para humanizar os profissionais de saúde e, principalmente, garantir um atendimento de qualidade aos pacientes e preservar a vida e o bem-estar dos profissionais.
Como resumiu de forma eficiente a Dra. Claudia: “Cuidar da mente não é um luxo, é uma necessidade para que possamos seguir cuidando dos outros com segurança, empatia e excelência”. É preciso adotar práticas de cuidado emocional e apoio psicológico para proteger aqueles que cuidam da vida.
Conheça o Programa WE CARE