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A Cultura de Segurança na Prática Anestésica: o anestesiologista como protagonista da segurança do paciente

Copa

19/03/2026

A segurança do paciente é hoje um dos pilares centrais da assistência em saúde. No entanto, no Brasil, menos de 50% dos hospitais contam com Núcleos de Segurança do Paciente formalizados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente (IBSP), analisados a partir do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e de boletins da Anvisa. Esse cenário expõe fragilidades e reforça a necessidade de fortalecer a cultura de segurança na prática, em ambientes hospitalares de alta complexidade.

Nesse contexto, por estar diretamente envolvido na gestão da via aérea, no monitoramento hemodinâmico e na tomada de decisões em tempo real, o anestesiologista se posiciona como um dos principais agentes na prevenção de eventos adversos e na construção de ambientes assistenciais mais seguros.

Como a cultura de segurança se manifesta na prática anestésica?

Na rotina do centro cirúrgico, a cultura de segurança não se limita à aplicação de protocolos. Para o Dr. Gustavo Tsuha, Diretor de Qualidade e Segurança do Paciente da SAESP, o grande desafio é transformar diretrizes formais em comportamentos incorporados à prática clínica.

“A cultura de segurança na anestesiologia não é apenas um conjunto de protocolos, mas a sustentação que gera confiança entre a equipe e o paciente. Na prática diária, ela se traduz na transformação do ‘eu sempre fiz assim’ para o ‘nós podemos fazer de forma mais segura”, afirma o Dr. Tsuha.

Ferramentas estruturadas de comunicação, como o modelo SBAR (Situação, Background, Avaliação e Recomendação), e o uso consistente do Checklist [1] de Segurança Cirúrgica da Organização Mundial da Saúde (OMS) são exemplos de práticas que ajudam a reduzir falhas e alinhar a equipe assistencial.

Outro conceito essencial nesse processo é a consciência situacional, que envolve a capacidade de perceber o contexto clínico, interpretar os sinais do ambiente e antecipar possíveis complicações. Esse raciocínio permite que decisões sejam tomadas de forma proativa, antes que um evento adverso ocorra.

A Dra. Regiane Dias, coordenadora do Núcleo de Qualidade e Segurança da SAESP, destaca que a anestesiologia é historicamente uma das especialidades médicas que mais avançaram nesse campo. “Isso não se deve apenas à tecnologia, mas também à cultura baseada em monitorização, padronização de processos e aprendizado contínuo”, explica.

Segundo ela, na prática clínica, essa cultura se reflete em decisões cotidianas que começam ainda na avaliação pré-operatória: “Cada decisão do anestesiologista está baseada na cultura de segurança - desde a identificação de riscos clínicos até a antecipação de cenários críticos. Isso envolve comunicação efetiva, uso consistente de protocolos e checklists, além do incentivo à notificação de eventos e quase-erros para aprendizado coletivo”, reforça a Dra. Regiane.

Os desafios e o papel da SAESP na consolidação da cultura de segurança do paciente

Apesar dos avanços, a implementação efetiva da cultura de segurança ainda enfrenta barreiras importantes. Entre os principais desafios, estão a pressão por produtividade nos centros cirúrgicos, as barreiras hierárquicas dentro das equipes e a ausência de retorno institucional após a notificação de incidentes.

O Dr. Tsuha ressalta que a cultura de segurança depende também da construção de um ambiente organizacional baseado na chamada “Just Culture” (cultura justa).“É fundamental mudar o foco da culpa individual para a análise das falhas sistêmicas. O erro precisa ser reportado para que o sistema aprenda e evolua; e não para punir o profissional.”

Para isso, a educação estruturada é um dos pilares para transformar a segurança do paciente em prática concreta dentro das instituições. Programas educacionais que integram teoria, simulação e análise de eventos clínicos ajudam a desenvolver competências essenciais para a gestão de riscos. Nesse sentido, o Curso Avançado de Segurança do Paciente, realizado em parceria entre a SAESP e a ESAIC (European Society of Anaesthesiology and Intensive Care), tem papel fundamental na formação de lideranças em segurança.

De acordo com o Dr. Tsuha, o curso proporciona uma experiência imersiva, focada em gerenciamento de crises e tomada de decisão em situações complexas. O anestesiologista passa a exercer um papel de liderança na gestão da segurança e da qualidade assistencial. A Dra. Regiane acrescenta que programas estruturados ampliam a capacidade dos profissionais de compreender os sistemas de saúde de forma mais integrada.

A discussão sobre segurança do paciente também estará no centro das atividades educacionais do COPA SAESP 2026 com o Workshop Pré-Congresso de Segurança do Paciente, com a participação da Dra. Claudia Marquez Simões - Vice-presidente da SAESP. O workshop promove uma experiência prática e altamente interativa, com simulações e análise de casos clínicos baseados em situações vivenciadas no Brasil. Além do treinamento técnico, o encontro também busca estimular a troca de experiências entre anestesiologistas.

Mais do que um espaço de atualização científica, o workshop pretende incentivar a construção de uma rede de profissionais comprometidos com a melhoria contínua da qualidade assistencial. Não perca a oportunidade de estar em um dos maiores congressos da América Latina e fazer parte dos anestesiologistas que contribuem para elevar os padrões da anestesiologia brasileira.


Conheça o Workshop Pré-Congresso de Segurança do Paciente

Fonte:

SAESP
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