Em 1948, era fundada a Sociedade Brasileira de Anestesiologia,
com sede no Rio de Janeiro. Já a história da anestesiologia
paulista começou em 1950, quando foi criado o Departamento
de Anestesia na Associação Paulista de Medicina.
Após dez anos, em 1960, foi criado o Grupo Assessor da
Comissão de Defesa da Classe da APM para anestesia. O departamento
funcionou na APM até 1965. Neste ano, durante a gestão
do dr. Carlos Vita Lacerda de Abreu, a Secretaria do Departamento
de Anestesia passou a funcionar numa sala do prédio da
Clínica de Anestesia São Paulo, à rua Cincinato
Braga, 184, gentilmente cedida pelo dr. Kentaro Takaoka.
Desde a gestão do dr. Vita já era manifesta a necessidade
de expansão e de se conseguir uma sede própria.
Em 1966 foi eleita a nova diretoria, composta pelo dr. Raphael
Augusto Bellini, presidente, dr. Roberto Ayres Araújo,
1º secretário, dr. Pedro Cronenberg, 2º secretário.
Dr. Bellini foi então conversar com o dr. Edson de Oliveira,
na época presidente da APM, para que cedesse uma sala dentro
do prédio da associação. Dr. Edson afirmou
não ser possível essa pretensão, pois as
demais especialidades iriam certamente fazer as mesmas exigências.
Dr. Edson propôs apoiar a idéia de dr. Bellini contanto
que não fosse utilizado o nome de Associação
Paulista de Anestesiologia (APA), e mesmo que fossem filiados
a Socidade Brasileira de Anestesiologia, continuassem sob o nome
de Departamento de Anestesiologia da APM.
Em 1966, com o apoio do dr. Kentaro Takaoka, então presidente
da SBA, foi alugada uma sala no Edifício Pasteur, à
Avenida Paulista 352, no 3º andar, conjunto 36, em nome da
SBA – Regional de São Paulo e Departamento de Anestesia
da APM, tendo como fiadores os doutores Kentaro Takaoka e Raphael
Augusto Bellini.
Em 1968 foi alugada uma nova sala, a de nº 56, no mesmo
edifício, liberando assim os primeiros avalistas. Neste
local a secretaria funcionou até 1974, quando mudou para
a atual sede própria, à rua Caiubi 666, em Perdizes.
A idéia da compra para a SAESP surgiu em 1972, durante
a presidência do dr. Almiro dos Reis Júnior. No entanto,
apesar dos esforços para angariar fundos (doações
de colegas, bazares em sua residência, etc.) realizados
naquele ano e no ano seguinte, 1973, na presidência do dr.
Carlos Pereira Parsloe, a aquisição da sede à
Rua Caiubi só se concretizou em 1974, durante a 2ª
gestão do dr. Almiro. Isso foi possível graças
a contribuições financeiras de colegas, rendas de
congressos e, principalmente, a empréstimo conseguido junto
à Caixa Econômica Estadual, ficando dois diretores
da entidade (presidente e secretário) como fiadores.
Tratava-se de uma pequena residência na frente e de uma
marcenaria nos fundos, transformadas em sede administrativa e
sala de aulas, respectivamente. Como curiosidade, este imóvel
pertenceu a famosa pintora paulista Tarsila do Amaral, irmã
do introdutor da anestesia regional intravenosa no Brasil, dr.
Zepherino Alves do Amaral. Posteriormente, esta sede foi reformada,
seu quintal coberto, e instalado o Bar-Bitúrico.
Em 02 de maio de 1969, em Santos, sob o patrocínio do
Departamento de Anestesia da APM realizou-se o I Encontro de Regionais
da SBA. Nesta ocasião foram aprovadas as criações
das secretarias das regionais, seus estatutos e boletins. No boletim
nº 3, de junho de 1969, aparece pela primeira vez o nome
SOCIEDADE DE ANESTESIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO, e a
sigla SAESP.
No boletim de setembro de 1969, o nº 5, foi publicado o
primeiro projeto do Estatuto da SAESP, aprovado em 31/10/1969.
O boletim nº 6, de 4 de novembro do mesmo ano, merece destaque
especial "FUNDAÇÃO DA SAESP". Nele aparece,
pela primeira vez, o cabeçalho "Sociedade de Anestesiologia
do Estado de São Paulo – Regional de SP da SBA –
Departamento de Anestesia da APM". Constam ainda informações
sobre a aprovação dos primeiros estatutos da SAESP,
em 31/10/69, e também são reproduzidas as metas
da SAESP:
Reunir todos aqueles interessados em fomentar o progresso, o
aperfeiçoamento e a difusão da especialidade;
Defender todos os interesses profissionais e éticos de
seus membros;
Coordenar toda a produção científica relacionada
com a especialidade, e divulgar entre os leigos as normas racionais
e os propósitos da anestesiologia;
Elevar o padrão profissional patrocinando atividades científicas
e didáticas;
Promover o congressamento dos seus associados.
Também neste boletim foi declarada extinta a secretaria
da Regional de SP da SBA e do Departamento de Anestesia da APM,
passando todo o seu acervo para a SAESP, que se torna responsável
por funcionar por esses órgãos.
Em 31/10/69 foi fundada a SAESP
A então diretoria do Departamento de Anestesia da APM,
composta por dr. Leão João Pousa Machado, presidente,
dr. João Brenha Ribeiro, 1º secretário, dr.
Álvaro G. B. Eugênio, 2º secretário,
fundou a SAESP e exerceu o mandato "tampão" como
diretoria, até 31/12/96. Em 05/12/69, em Assembléia
Ordinária foi eleita a primeira diretoria da SAESP, composta
pelo presidente dr. João Brenha Ribeiro, vice-presidente
dr. Renato R. Del Nero, 1º secretário dr. João
Baptista Mantoanelli, 2º secretário dr. Hermane Ponce
C. Rocha, tesoureiro dr. Luiz Augusto Bayerlein, diretor científico
dr. Almiro dos Reis Júnior, diretor social dr. José
Monteiro. Essa diretoria tomou posse em 01/01/70. Em 10/01/70
a diretoria da SBA reconheceu a SAESP como sua regional em São
Paulo. Em 16/12/70 a APM reconheceu a SAESP como seu departamento
de Anestesiologia.
O boletim da SAESP, que era feito em folhas mimiografadas, passou
a ser editado em formato impresso em 1971. Em 1972 foi criado
o Prêmio SAESP. No mesmo ano foi instituída uma comissão
para a compra da sede própria. Um ano depois, em 1973,
a SAESP realizou o XX CBA e criou a revista "Resumos de Literatura
Anestesiológica Internacional".
Em 06/12/1974 foi adquirida a atual sede da SAESP, à rua
Caiubi, 666, pelo valor de 510.000 Cruzeiros Novos, financiado
em 10 anos pela Caixa Econômica Estadual. Esta casa, construída
em 1938, foi comprada do marceneiro italiano Michele Santoro,
que, por sua vez, a comprara em 1966 de Tarsila do Amaral.
Em 1975 a SAESP já possuía mais de 600 associados.
Neste ano foi realizado o I curso intensivo preparatório
para o TEA, com duração de 11 dias. Segundo o editorial
de maio de 1976, a SAESP já contava com 700 sócios
ativos. Nesta época foi decidido através de reforma
estatutária que o mandato da diretoria passaria a ser de
dois anos.
Em 1977 foi realizado o XXIV CBA, na cidade do Guarujá.
Em 1978 foi realizada a primeira reforma da nova sede. Neste ano
foi eleita vice-presidente da APM a dra. Eugesse Cremonesi. Em
1979 o calendário científico da SAESP foi reestruturado.
Os cursos para estagiários de CET’s foram extintos,
e os estágios dos CET’s passaram a ser, obrigatoriamente,
de dois anos. Criaram-se também os cursos de atualização.
Em outubro de 1980 foi comemorado na cidade de Santos o 30º
aniversário da criação do Departamento de
Anestesia da APM. A programação científica
da gestão 1980/81 contou com a participação
de convidados internacionais, como Ty Smith, Penélope Smith
e Sol Schneider. Foi realizado em Campinas a I JASB.
Na gestão 1982/83 foi realizada uma reforma no anfiteatro
da SAESP. Essa dirteoria ocupou espaços importantes no
CRM, APM e AMB. Foi implantado o sistema AIH no Estado de São
Paulo.
Em julho de 1983 a SAESP já contava com 1219 sócios.
Em 1984, através do dr. Geraldo Alckmin Filho, então
deputado estadual, foi pleiteada junto a Assembléia Legislativa
do Estado de São Paulo, através de um projeto de
lei (781/84), a declaração de utilidade pública
da SAESP. A declaração oficial da utilidade pública
veio através da lei 4.654 do Estado de São Paulo.
A diretoria da gestão 1984/85 tinha como meta a luta pela
implantação da Tabela da AMB no Estado de São
Paulo. Já para a diretoria de 1986/87, o objetivo era descredenciar
os anestesistas junto ao INAMPS e interceder junto ao DIMED para
liberação de drogas. Esta gestão pleiteou
e obteve a aprovação da AR da SBA para sediar o
36º CBA, em 1989.
A última assembléia da SAESP em 1987, no dia 12
de dezembro, decidiu homenagear o dr. Carlos Pereira Parsloe,
presidente da Worls Federationos Societies of Anaesthesiologists
– WFSA – 1984/1988, com uma placa no auditório
da SAESP.
A resolução CREMESP nº 26/88 no artigo 1º
considera a Tabela de Honorários Médicos da AMB
como remuneração mínima não aviltante
ao trabalho médico.
Em 1989 foi realizado o 36º CBA, no Anhembi, em São
Paulo. Neste mesmo ano, no Buffet Mansão Cidade Jardim,
foi feita uma comemoração em dose dupla: dia do
Anestesiologista e 20 anos da SAESP. Também em 1989 foi
introduzido o Programa Descentralizado de Reciclagem e Atualização
em Anestesiologia, através de debates orientados gravados
em fitas de vídeo cassete. Além disso, este ano
marcou a edição de uma monografia intitulada "SAESP
20 anos", de onde extraímos este resumo.
De 1990 à 1999
Em 1990, o presidente era o dr. Raimundo Rebúglio. Naquele
ano, pioneiramente editou o livro “SAESP/TSA – Curso
de Atualização. Junto à APM, passou a integrar
o Departamento Multidisciplinar de Dor.
Nesse período, entre 1990 e 1991, a SAESP intensificou
sua eterna luta pela valorização dos honorários
médicos. No boletim nº3, do ano de 1991, dr. Raimundo
Rebúglio, diante do caos, alertou os anestesiologistas
a reivindicarem condições de trabalho dignas e que
ofereçam segurança ao paciente anestesiado.
Em 1992, foi lançado o programa MINI-RAIESP – Rodada
de Anestesiologia do Interior do Estado de São Paulo. O
objetivo era proporcionar maior aproximação e confraternização
dos anestesiologistas e outros especialistas do interior, integrando
a equipe anestésico-cirúrgica.
Naquele ano, é preciso destacar a 52º RAIESP Araçatuba,
que ocorreu dias 14 e 15 de agosto, com 61 participantes. Outros
eventos de efeito foram a 26º JASB – Jornada de Anestesiologia
do Sudeste Brasileiro - e 26º JOPA –Jornada Paulista
de Anestesiologia, realizados no Hotel Transamérica, em
São Paulo, entre os dias 28 e 30 de maio de 1992.
Ainda em 1992 foi criado o cargo de Diretor de Assuntos Econômicos,
que passou a integrar a diretoria a partir do ano seguinte.
Em 1993, consolidou-se o plano das MINI-RAIESP com a realização
de oito rodadas. Também foi feita uma reforma para ampliação
da sede da entidade, iniciando a fase de informatização.
A gestão de 1994 e 1995, sob a presidência da dra.
Maria Angela Tardelli, tinha o propósito de intensificar
o aperfeiçoamento científico e buscar soluções
que garantissem ao anestesiologista o direito de gerir o seu trabalho
e assegurar remuneração mais justa. Nesse aspecto,
foram realizados cursos abordandoas principais situações
que freqüentemente afligem os especialistas.
No aspecto econômico, foi organizado um simpósio
com anestesiologistas, advogados e presidentes de cooperativas
de outras regiões para orientar o processo de criação
de uma cooperativa no Estado de São Paulo. Foi também
constituída uma Comissão Técnica de Anestesia,
em parceria com a CREMESP, com a finalidade de assessorar a condução
dos assuntos referentes à área.
A partir de 1996, a SAESP instituiu assessoria jurídica
para fornecer pronto atendimento e aconselhamento jurídico
aos associados. Apoiou os colegas da Prefeitura de São
Paulo quando da implantação do Plano de Assistência
à Saúde (PAS), que perdurou durante toda gestão.
Neste ano, a JASB foi realizada no Maksoud Plaza em São
Paulo, juntamente com a JOPA. O sucesso deste encontro foi tão
grande que a diretoria decidiu sediar todas as jornadas subsequentes
na referida cidade. Outra novidade foi a implantação
do site, tornando a sociedade pioneira da globalização
entre as regionais.
A diretoria da SAESP, que tinha como presidente, dr. Pedro Thadeu
Galvão Viana, esteve presente às reuniões
da APM para implantação do Departamento de Convênios.
Com adesão cada vez maior do interior, na capital o número
era praticamente inexistente. Apesar do esforço, não
foi possível avançar no objetivo de união,
seja através das cooperativas, seja aderindo ao Departamento.
Em setembro de 1996, foi lançado o livro da SAESP, iniciado
na gestão da dra. Maria Angela Tardelli. No ano seguinte,
nove anestesiologistas paulistas foram eleitos para cargos na
SBA, de um total de 23 cargos em disputa.
Em 1998, a SAESP passou por mudanças estruturais profundas,
principalmente na área de recursos humanos. A contratação
de pessoal habilitado para trabalhar com computadores foi o passo
inicial, seguido pela informatização total da Sociedade.
A inovação permitiu maior interação
com os anestesiologistas e notória fluência dos trabalhos
rotineiros.
Em 1999, atendendo à necessidade do aprimoramento técnico,
prático e científico, iniciou-se o Programa de Educação
Continuada (PEC), composto por núcleo de estudos de Reanimação
Cardiorespiratória, Dor, Terapia Intensiva, Via Aérea,
Bloqueios Regionais e Equipamentos. Também foi implantado
o Sistema de Educação à Distância (SED).
Um curso virtual que possibilita o aperfeiçoamento do especialista,
mesmo com o exíguo tempo que dispõe em seu cotidiano.
O desfecho do biênio 1999-2000 foi marcado pelo lançamento
do Manual de Orientação ao Anestesiologista. De
extrema relevância, contém as normas que regulamentam
a profissão, ensina a conduzir-se diante de evento adverso
e inclui resoluções, pareceres e orientações
de rotina. O material foi distribuído para todos anestesiologistas
do Estado de São Paulo.
Outro fato importante, que concedeu a SAESP sua representatividade
máxima na Sociedade Brasileira de Anestesiologia, foi a
eleição do dr. Raimundo Rebuglio para a presidência
da SBA.