Kentaro Takaoka
Presidente da SAESP, gestão 1962
Presidente em 1962 do Departamento de Anestesiologia da APM - que
mais tarde se tornaria Sociedade de Anestesiologia do Estado de
São Paulo -, o dr. Kentaro Takaoka destaca-se no meio médico
por sua dedicação em criar novos equipamentos que
facilitem a aplicação da anestesia, bem como por desenvolver
aparelhos de respiração artificial. Nascido em São
Paulo em 20 de agosto de 1919, em 1944 o jovem Takaoka terminava
seu curso de Medicina na USP, seguindo a tradição
japonesa do filho mais velho herdar a profissão do pai.
Quando começou a exercer a Medicina, ainda não
existia a especialidade de anestesiologia, devidamente formatada
e sistematizada. A anestesia era apenas uma categoria dentro da
cirurgia, aplicada por cirurgiões, médicos assistentes
ou enfermeiros. Entre alguns dos pioneiros paulistas na área
de anestesiologia estão, como recorda o dr. Takaoka, os
doutores Oscar Barreto, Luís Rodrigues Alves, Gil Soares
Bairão e Reynaldo Neves de Figueiredo e Caio Pinheiro,
que posteriormente passaram pela presidência da SAESP.
A especialidade passou a ocupar um dos departamentos científicos
da Associação Paulista de Medicina a partir de 1950.
Conforme relata o dr. Takaoka, em 1955 - após 11 anos de
trabalhos no Hospital das Clínicas -, ele e alguns de seus
companheiros fundaram a Clínica de Anestesia de São
Paulo, como forma de impulsionar a especialidade e torná-la
reconhecida e independente das demais áreas da Medicina.
Em 1965, a Secretaria do Departamento de Anestesia passou a funcionar
em uma das salas da Clínica, cedida pelo dr. Takaoka. Além
de sua participação ativa no cenário paulistano
da anestesiologia, o médico foi, em 1966, presidente da
Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Em 1969, participou da
fundação da SAESP.
Amor pela Medicina e Informática
O gosto pelas áreas de engenharia e mecânica o acompanha
até hoje. Além da Medicina, formou-se fresador mecânico
pelo SENAI, o que o capacitou a desenvolver equipamentos na área
de anestesiologia. Enquanto esteve trabalhando no Hospital das
Clínicas, criou uma pequena oficina de pesquisa, no 9º
andar do Hospital das Clínicas, onde, sempre que havia
um tempo livre, dedicava-se à pesquisa de equipamentos
mais sofisticados e que pudessem ser úteis no cotidiano
do hospital.
"Naquela época", conforme lembra o dr. Kentaro,
"havia apenas um aparelho de respiração. Nós
o chamávamos de ressuscitador e servia para atender o pronto
socorro e outros setores. Se o aparelho fosse solicitado ao mesmo
tempo em áreas distantes diferentes, virava um problema".
Foi pensando especialmente nos recém-nascidos que, a partir
de 1951, o dr. Takaoka desenvolveu um aparelho portátil
de respiração artificial. A patente data de 1963
e, de lá para cá, diversos equipamentos hospitalares
e de anestesia foram desenvolvidos pelo médico.
Quando a informática passou a fazer parte da realidade
brasileira, o dr. Takaoka introduziu em sua fábrica de
equipamentos os princípios da computação
e lembra-se com carinho dos treinamentos dados sobre o uso dos
novos aparelhos informatizados. A necessidade de aprender fez
dele um amante da tecnologia e hoje um dos seus passatempos preferidos
é a leitura de revistas na área de computação.
De espírito inquieto e alegre, aos 84 anos, casado e pai
de seis filhos, o dr. Takaoka ainda deseja aprender mais. Seus
planos imediatos são resgatar a língua de seus pais
e continuar se dedicando à anestesiologia brasileira.