Pedro Geretto
Presidente da SAESP, gestão 1960
Aposentado desde o mês de maio de 2005, o anestesiologista,
que leva o título de ‘primeiro professor titular
concursado do Brasil’, se enche de orgulho ao falar de uma
vida inteira dedicada à Escola Paulista de Medicina. Mesmo
hoje, quando poderia descansar longe da intensa rotina hospitalar,
não deixa de visitar com freqüência aquele que
sempre considerou seu segundo lar. Comumente atravessa os corredores
do Hospital São Paulo, passa pelo centro cirúrgico
e demais dependências deixando, a cada visita, um pouco
de sua experiência de mais de 50 anos de carreira.
Presidente da SAESP no ano de 1960, dr. Geretto é um exemplo
de dedicação à carreira. Nascido na pequena
cidade de Ibitinga, interior de São Paulo, em 1922, cumpriu
uma trajetória brilhante para concretizar seu maior sonho:
ser médico.
Concluiu graduação em 1948, pela Escola Paulista
de Medicina (EPM), onde permaneceu por 57 anos em brilhante carreira
no Hospital São Paulo. Estagiário médico
anestesista, integrou o Serviço de Anestesiologia, do professor
Caio Pinheiro. Em 1954, se tornou professor assistente da disciplina
de Anestesiologia do Departamento de Cirurgia da EPM. Pouco tempo
depois, em 1957, foi o responsável pela anestesia da primeira
cirurgia cardíaca com circulação extra-corpórea
no país, realizada pelo prof. Hugo Felipozzi na Casa de
Saúde Santa Rita.
Após concluir doutorado e livre docência, em 1976,
ainda naquela instituição, entrou para a história
da Medicina do País. Como primeiro professor titular concursado
do Brasil, presidiu a comissão curricular e trabalhou na
reestruturação do currículo da escola. Sua
trajetória na EPM é longa. Foi, ainda, chefe do
Departamento de Cirurgia entre 1987 e 1990 e chegou a diretor
clinico do Hospital São Paulo nos anos de 1990 e 1991.
Não menos brilhante foi sua trajetória iniciada
em 1949 no Hospital Beneficência Portuguesa, do qual foi
chefe e fundador do Serviço de Dor, além de diretor
clínico por dois anos, quando implantou a pós-graduação
latu sensu.
A carreira associativa deste ilustre anestesiologista também
é incontestável. Em 1960, quando presidente do Departamento
de Anestesia da Associação Paulista de Medicina,
que mais tarde daria origem à SAESP, deu-se o importante
movimento de defesa de classe do anestesiologista, cujo objetivo
era substituir o serviço remunerado por vínculo
empregatício pelo trabalho por unidade de serviço
tabelada, como acontece nos dias de hoje. Como membro da diretoria
da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, dr. Geretto atuou como
diretor da Revista Brasileira de Anestesiologia.
Tantas lutas e correria jamais fizeram com que perdesse de foco
a necessidade de atualização, permanentemente cumprida
nos diversos congressos no Brasil e no exterior. Em 1958, por
exemplo, viajou para os Estados Unidos onde percorreu, durante
cinco meses, centros de anestesia para cirurgia cardíaca.
Graças à vasta produção científica
- ele reúne mais de 60 trabalhos publicados em revistas
nacionais e estrangeiras –, recebeu inúmeros prêmios.
Entre eles, destacam-se a placa de prata da Associação
Paulista de Medicina, as diversas medalhas e condecorações
da Marinha, da qual faz parte ainda hoje vinculado Sociedade Amigos
da Marinha.
Atualmente, incansável aos 83 anos de idade, dr. Geretto
presta serviço voluntário juntos ao Mosteiro de
São Bento. Nas tardes de quarta-feira, em sua visita semanal,
repassa a ficha de avaliação dos cerca de 40 monges
lá residentes, verifica novas ocorrências que, quando
fogem de sua alçada, encaminha a um especialista.
Mesmo com tantas glórias na vida profissional, ele não
se esquece daqueles que foram importantes desde o início
de sua trajetória. Os professores Jairo Ramos e Alípio
Corrêa Netto são lembrados como dois dos principais
mestres com os quais teve o privilégio de conviver. “Foram
eles que construíram a minha formação. Serviram
como modelo, como exemplos de dedicação e ética.
Quando chegou a minha vez de ensinar, procurei formar bons profissionais
e transmitir a eles amor pela Escola. A função do
professor é mostrar o caminho para aqueles que iniciam
e apontar o futuro para aqueles que nos ultrapassaram”.
Mas orgulho mesmo, dr. Geretto sente ao falar daquela que esteve
sempre a seu lado, dona Maria Cecília, com quem se casou
há quase 55 anos. “Devo grande parte de minhas conquistas
à minha mulher, que, com grande dedicação,
carinho e amor, construiu uma família extraordinária,
que é o alicerce de tudo o que eu pude construir na vida
profissional e acadêmica”. Frutos desta relação
de respeito e compreensão, estão os quatro filhos
e oito netos do casal. Dentre a nova geração da
família Geretto, a primeira a seguir os passos do avô
é Anna Gabriela, que atualmente se prepara para o vestibular
de Medicina.