Caio Pinheiro
Presidente da SAESP, gestão 1953
Dr. Caio Pinheiro teve papel fundamental para o desenvolvimento,
estudo e aplicação da Anestesiologia no Brasil. Um
dos primeiros anestesistas a atuar no Estado de São Paulo,
presenciou a evolução da especialidade desde suas
formas mais incipientes até a consolidação
de técnicas modernas no Brasil.
Aos 89 anos, dr. Caio lembra da época em que não havia
especialistas em anestesia no Brasil, apenas cirurgiões que
faziam as aplicações. A vontade de mudar esse quadro
e o incentivo de seu primo, o médico e professor Alípio
Corrêa Netto, bastaram para que dr. Caio largasse a cirurgia
e abraçasse a Anestesiologia como meio de trabalho, estudo
e de prestação de serviço à sociedade.
Formado pela Escola Paulista de Medicina (EPM) em 1940, iniciou
sua atividade profissional no Hospital São Paulo, instituição
onde trabalhou na maior parte da sua carreira. Em 1941, tornou-se
assistente do Departamento de Clínica Cirúrgica,
sob supervisão de prof. Alípio. Recebeu dele o convite
para lecionar a disciplina de Anestesiologia do Departamento de
Cirurgia da EPM, a primeira do Brasil, entre 1942 e 43. Com a
fundação do Serviço de Anestesia do Hospital
São Paulo, em 1946, dr. Caio passou a chefiar o Curso de
Especialização. Aliás, integrou o serviço
até se aposentar, na década de 80.
Em 1945 criou, ao lado dos anesteiologistas Pedro Geretto, Hugo
Vespucci e Luiz Branco Jr, o CEMESP, uma organização
de anestesistas que até hoje presta serviços para
diversos hospitais, como a Beneficência Portuguesa, Hospital
Santa Rita, Hospital Sorocabano e o Serviço de Anestesia
da Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo (FIESP), no Hospital Santa Edwiges.
Hoje o CEMESP é dirigido pelos assistentes que trabalharam
com dr. Caio anteriormente, e conta com cerca de 70 pessoas. O
grupo de profissionais da CEMESP também formou a diretoria
do Hospital Santa Rita, do qual dr. Caio foi diretor presidente
durante quase 40 anos.
Foi presidente do Departamento de Anestesiologia da Associação
Paulista de Medicina, órgão que mais tarde se tornaria
a Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP),
em 1953. Participou também da SBA, como vice-presidente
em 1955. Foi ainda chefe do Departamento de Cirurgia da Escola
Paulista de Medicina e diretor secretário do Hospital São
Paulo.
Nascido em Poços de Caldas, Minas Gerais, dr. Caio Pinheiro
encerrou suas atividades médicas em 2000, aos 85 anos.
Casado, pai de quatro filhos, e com dez netos e três bisnetos,
aproveita a aposentadoria para descansar em seu sítio no
interior do Estado.
A carta de prof. Alípio
Além do reconhecimento dado por sua brilhante trajetória,
dr. Caio Pinheiro foi personagem de um episódio interessante
da Anestesiologia brasileira. Recebeu de seu primo, prof. Alípio
Corrêa Netto uma carta, comentando novos métodos
que os norte-americanos utilizavam na II Guerra Mundial.
As impressões do prof. Alípio soaram como profecia
para a Anestesiologia brasileira, que foi se aperfeiçoando
a partir de técnicas desenvolvidas em países como
a Inglaterra e os Estados Unidos.
Prof. Alípio Correa Neto, além de cirurgião
e professor da cadeira de cirurgia da EPM e da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMUSP), participou da II
Guerra como major da Força Expedicionária Brasileira.
Para dr. Caio, de certa forma, a guerra auxiliou no aperfeiçoamento
da Anestesiologia em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos,
Inglaterra e Brasil, a partir do trabalho que clínicos
e farmacologistas tiveram na Itália.