Reynaldo Neves de Figueiredo
Nascido em 8 de julho de 1908, dr. Reynaldo Neves de Figueiredo
foi um dos pioneiros da especialidade. Ao longo da vida, contribuiu
de maneira ímpar para a Anestesiologia do Brasil. Com indiscutível
talento e competência, foi o fundador e primeiro presidente
do Departamento de Anestesia da Associação Paulista
de Medicina (APM), em 1950. Teve participação essencial
para a consolidação desse Departamento, que, em 1969,
viria a se tornar a SAESP - Sociedade de Anestesiologia do Estado
de São Paulo. Teve, como secretários de sua gestão,
nomes de primeira grandeza, como os drs. Carlos Pereira Parsloe
e Luiz Branco Júnior. No mesmo ano, também assumiu
a vice-presidência da SBA, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (FMUSP), dr. Reynaldo entrou na Anestesiologia de forma bastante
curiosa. Assistente do serviço de cirurgia do dr. Benedito
Montenegro, era especializado em cirurgia de abdome. Vítima
de constantes dores na coluna causadas por uma hérnia de
disco, trocou a cirurgia pela anestesia, especialidade que, bastante
incipiente à época, permitia o uso de um banquinho
e o repouso do médico após as aplicações.
Com a restrição de não poder ficar em pé
nas cirurgias, tornou-se o anestesista do serviço para o
qual já trabalhava, que na ocasião, não possuía
nenhum médico da especialidade. Em 1944, o primeiro anestesista
do Hospital das Clínicas, fundou o serviço da especialidade
na instituição, que neste ano de 2004 completa 60
anos de existência.
Dr. Reynaldo foi o primeiro chefe do Serviço de Anestesia
do Hospital das Clínicas, trabalhando ao lado dos renomados
anestesiologistas Gil Soares Bairão, Kentaro Takaoka, Alberto
Caputo, Antonio Pereira de Almeida, Amador Varella Lorenzo, Carlos
Pereira de Magalhães Júnior e Oscar Figueiredo Barreto,
entre outros.
Sua colaboração para o aprendizado da anestesia no
Brasil é indiscutível. Em 1946, fez uma especialização
de quatro meses e meio na Inglaterra, estudando novos métodos
que já eram aplicados pelos médicos britânicos.
Uma das novidades que trouxe aos colegas do País foi o curare,
uma erva usada como relaxante muscular originária do Amazonas.
Dr. Reynaldo, aliás, foi o primeiro anestesista brasileiro
a utilizar esta erva, descoberta por médicos canadenses.
Àquela época, os métodos ingleses eram os mais
evoluídos, e sua experiência atraiu o interesse dos
anestesistas brasileiros, que ainda trabalhavam de forma mais rudimentar.
Em 1955 passou a exercer a função de diretor administrativo
do Hospital das Clínicas, respondendo pelo Serviço
de Anestesia até 1960. Administrador excepcional, foi escolhido
para organizar a divisão médica do Hospital do Servidor
Público Estadual "Francisco Morato de Oliveira",
logo em sua inauguração, em 1961. Escolheu a dedo
cada chefe dos departamentos médicos, obtendo ótimos
resultados e gerando enorme impulso na organização
da instituição.
Organizador formidável, foi superintendente do Hospital do
Servidor desde 1961, até se aposentar compulsoriamente, na
década de 80, com 70 anos. Por mais três anos atuou
no Serviço Social da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (SECONSI). Nos anos derradeiros
de sua carreira, exerceu algumas atividades na Santa Casa de Misericórdia
de São Paulo e na Faculdade de Medicina da USP, ao lado do
professor Charles Corbett.
Homem sério e extremamente correto, dr. Reynaldo era uma
pessoa muito religiosa. Até hoje é tido pelos colegas
como uma ótima pessoa, fundamental para a Medicina, para
a Anestesiologia e especial para todos aqueles que o conheceram.
Ensinou a Anestesiologia a muitos médicos e trabalhou intensamente
naquela que foi sua especialidade.
Dr. Reynaldo Neves de Figueiredo faleceu em 19 de abril de 1989,
deixando muitas saudades à esposa, Odette Quartim Barbosa
Figueiredo, e seus sete filhos. Mais que o legado dos estudos e
da prática médica, fica a admiração
de toda uma geração de anestesiologistas, que até
hoje se inspiram em sua carreira largamente produtiva e no exemplo
de amizade e dedicação.